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Economia

Reforma Tributária em 2026: os impactos negativos que já preocupam o comércio

A fase de transição do novo sistema expõe riscos imediatos para os lojistas, eleva custos operacionais e amplia a insegurança jurídica no varejo brasileiro.

06/01/2026 11h38
Por: Redação

O ano de 2026 marca o início efetivo da transição da reforma tributária e, para o comércio, esse período está longe de representar alívio. Embora o discurso oficial insista na promessa de simplificação, a realidade que chega às lojas é a de um sistema mais pesado no curto prazo, com aumento de complexidade, custos adicionais e riscos jurídicos concretos. Para micro, pequenos e médios lojistas, que já operam com margens estreitas e enfrentam crédito caro, o momento exige cautela redobrada.

O principal fator de preocupação é a convivência simultânea entre o sistema antigo e o novo. Em 2026, o lojista continuará lidando com tributos conhecidos, como ICMS, ISS, PIS e Cofins, ao mesmo tempo em que passa a se adaptar à lógica do IBS e da CBS. Essa sobreposição cria um ambiente confuso, com maior volume de obrigações acessórias, necessidade de dupla interpretação das regras e risco elevado de erros formais. A simplificação prometida ainda não se materializa; o que se impõe é uma transição complexa, em que o equívoco burocrático pode resultar em multas e autuações.

Esse cenário leva, inevitavelmente, ao aumento dos custos de compliance. A reforma exige atualização de sistemas fiscais, adaptação de ERPs, treinamento de equipes e uma contabilidade mais técnica e especializada. Para grandes redes, esses investimentos são absorvidos com relativa facilidade. Para o pequeno lojista, porém, representam um peso significativo no orçamento. Em muitos casos, o custo para cumprir corretamente a legislação passa a competir com despesas essenciais do negócio, corroendo a margem e comprometendo a sustentabilidade da operação.

A insegurança jurídica é outro efeito colateral imediato da transição. A regulamentação ainda está em consolidação, e o histórico brasileiro não inspira confiança: normas complementares mudam, interpretações se contradizem e a fiscalização, muitas vezes, avança mais rápido do que a orientação ao contribuinte. Diante disso, muitos lojistas optam por adiar investimentos, congelar planos de expansão e reduzir contratações, adotando uma postura defensiva para evitar passivos futuros.

Mesmo um dos pilares positivos da reforma, o sistema de créditos tributários, carrega riscos relevantes. Embora o novo modelo prometa crédito amplo, sua efetivação dependerá de sistemas integrados e de validações que ainda não foram testadas em larga escala. Na prática, há o temor de que o imposto seja pago imediatamente, enquanto a compensação do crédito demore ou seja parcialmente glosada por questões formais. Esse descompasso pressiona o fluxo de caixa e pode gerar dificuldades financeiras, sobretudo para negócios com menor capital de giro.

O Simples Nacional, apesar de mantido, também perde parte de sua atratividade em determinadas cadeias produtivas. Permanecer no regime simplificado pode significar menos burocracia, mas também pode tornar o lojista menos competitivo, já que seus clientes não terão direito a créditos do novo imposto. Essa escolha deixa de ser automática e passa a exigir análise técnica detalhada, algo que muitos pequenos empresários não estão preparados para fazer sozinhos.

Há ainda o risco de aumento silencioso da carga tributária. Apesar do discurso de neutralidade, setores do comércio podem acabar pagando mais, especialmente se as alíquotas não forem adequadamente calibradas. Esse impacto não costuma aparecer de forma explícita, mas se revela gradualmente na redução da margem, no repasse de preços ao consumidor e, em última instância, na queda das vendas.

O efeito mais preocupante, contudo, é o aprofundamento da desigualdade estrutural entre grandes e pequenos negócios. Empresas de grande porte contam com departamentos jurídicos, planejamento tributário avançado e tecnologia de ponta. O pequeno lojista, não. Sem orientação adequada, muitos podem ser empurrados para a informalidade ou forçados a encerrar as atividades. Nesse contexto, o papel de entidades como a FCDL-RJ e das CDLs regionais torna-se fundamental para orientar, capacitar e defender o comércio local durante a transição.

A reforma tributária pode ser necessária do ponto de vista estrutural, mas 2026 será, para o comércio, um ano de tensão e adaptação. Ignorar os impactos negativos é um erro estratégico. O lojista brasileiro não pede privilégio; pede previsibilidade, clareza e uma transição responsável. Sem isso, a promessa de modernização corre o risco de se transformar, para muitos, em mais um obstáculo à sobrevivência.

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