Mobilidade urbana

Mover pessoas é abrir caminhos para o desenvolvimento econômico. Quem governa o país, estados ou municípios deve tratar a mobilidade urbana como um investimento que dinamiza a economia e humaniza territórios. Se uma cidade ou região deseja crescer, atrair mais empregos, indústrias e negócios, deve estar atenta ao fato de que empresas determinam onde se instalar analisando dados sobre a eficiência da mobilidade.

Uma das primeiras coisas que se avalia antes de investir em uma cidade é a infraestrutura de transportes. As empresas querem saber se poderão receber seus insumos e escoar sua produção eficientemente e se seus colaboradores poderão ir e voltar do trabalho rápido e facilmente. Quando se investe em mobilidade urbana, uma cidade ou região se torna mais atraente para as empresas que pretendem construir novas fábricas, escritórios, gerando ganhos tanto para a administração pública quanto para seus habitantes.

Cortar custos com redução e verbas para programas de mobilidade urbana, como o de passagens subsidiadas ou de melhoria de frotas para transporte coletivo, é apequenar as expectativas de crescimento de uma cidade, estado ou país. O governante que permite o desinvestimento em mobilidade colhe a retração do investimento em sua cidade ou estado.

Cidades com limitações severas em mobilidade, quando não aplicam recursos que podem ou devem na área, assistem outras cidades, regiões ou até países receberem as novas unidades fabris. E podem ver mudar de local empresas já consolidadas, reduzindo receitas com impostos, perdendo postos de trabalho. Quanto melhor o sistema de transportes, por exemplo, também melhor a relação com a economia: as empresas ganham com um menor índice de atrasos e maior produtividade, pois quem leva uma hora, duas horas para chegar ao trabalho já chega cansado. Assim se ganha qualidade de vida, coma s pessoas demorando menos para se deslocarem, tendo mais tempo para ficar com suas famílias, serem mais presentes na educação dos filhos, descansar ou se divertir.

É preciso desviar dos obstáculos e acelerar na busca de soluções em mobilidade que resultam em cidades e regiões mais preparadas para o crescimento e mais humanas.

*Artigo publicado originalmente no jornal Terceira Via / nº 71 / 4 de fevereiro de 2017