Menos é mais

Eu sou lojista, trabalho no comércio e luto diariamente contra uma série de amarras que prejudicam a todos os elos do segmento produtivo.

O cidadão brasileiro, de um modo geral, seja o empregador ou o trabalhador, tem sido penalizado com a pouca eficácia das medidas governamentais na construção de uma economia mais moderna e dinâmica.

A nossa CNDL, a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas, publicou esta semana uma pesquisa que mostra que a inadimplência entre os consumidores aumenta na mesma proporção em que se eliminam postos de trabalho ou que se reduz a renda do consumidor.

O estudo aponta que as principais causas da inadimplência, entre os que tinham dívidas em atraso há mais de três meses da realização do estudo, foram perda do emprego (30%) — que chega a 31% nas classes C, D e E — e a redução da renda (29%).

Então, fica clara a relação existente hoje com o aumento do desemprego, o fraco desempenho da indústria, a quebra da confiança do empresário e do consumidor, na perpetuação de um círculo vicioso que apequena o Brasil.

Todos nós somos reféns de um processo de paralisia da economia, e entendemos que o governo federal, que já adotou medidas importantes, precisa avançar em outras áreas.

A principal pauta agora é a da Reforma Tributária, com a necessária simplificação de processos, unificação de tributos.

Hoje pagamos muitos impostos, em vários casos com bitributação, e os governos protelam a decisão de mudar a proposta vigente.

Agora, temos a oportunidade para tornar a máquina pública brasileira mais voltada para a indução e geração de novos negócios, a abertura de vagas de trabalho, a geração e distribuição de renda.

Ao governo federal não deveria nunca interessar arrecadar muito de poucos, com elevados, complicados e sobrepostos tributos, como ocorre ao longo de décadas.

É preciso ampliar a base de arrecadação com um modelo mais enxuto e próximo ao que se faz nas grandes nações desenvolvidas.

Menos impostos, maior base contributiva, melhores resultados para a sociedade brasileira, com inclusão produtiva e agenda social.

Marcelo Mérida

Presidente da Federação das CDLs do Estado do Rio de Janeiro

Artigo publicado originalmente no jornal Folha da Manhã em 05 de setembro de 2019