Estabilizando o paciente

Artigo

O comércio é uma das forças vivas da matriz produtiva do Brasil e também uma espécie de termômetro, que sinaliza bem a temperatura da nossa economia.

Quem trabalha no comércio abre as portas de suas lojas, coloca suas forças e a crença no trabalho acima de qualquer limitação ou desafio. O lojista ajuda o Brasil a empregar, a se expandir, mesmo contra tudo ou tudo a maior parte das vezes.

O IBGE divulgou nesta quarta, dia 13, sua Pesquisa Mensal do Comércio. O volume de vendas do comércio varejista nacional cresceu 0,7% em setembro em comparação com agosto.

Apesar de representar um percentual menor que um dígito, é um sinal de que o Brasil pode ir muito além das crises institucionais e políticas que travam a pauta do desenvolvimento nacional.

O IBGE mostra que foram registradas altas generalizadas em sete das oito atividades pesquisadas. Setembro também foi o quinto resultado positivo consecutivo do setor no ano, com ganho acumulado de 2,4% no período.

A gente que é lojista está no coração e centro nervoso das cidades, conversa com as pessoas, ouve suas reclamações, suas expectativas e frustrações. E, assim, sabemos bem quando o dinheiro some e leva o consumo junto, ou quando o poder de compra ensaia começar a se recuperar.

É preciso acreditar na capacidade do Brasil de superar as amarras da crise, porque vivemos em um país com potencial único, de gente trabalhadora e com um perfil de resiliência como poucos povos têm.

E o comércio dá essa lição para a gente, de resistência e de superação. Segundo o IBGE, os índices do comércio varejista foram positivos tanto para o fechamento do terceiro trimestre de 2019 (2,6%), como para o acumulado dos nove primeiros meses do ano (1,3%), ante iguais períodos do ano anterior.

O trimestre encerrado em setembro é o décimo positivo e mostra uma recuperação no ritmo de venda em relação ao primeiro (0,3%) e o segundo (1%) trimestres.

Esse dinamismo do comércio não quer dizer que o paciente, a economia brasileira, saiu da UTI, mas sim que emite sinais positivos às intervenções e medicamentos aplicados, como as reformas aprovadas pelo Congresso entre outras iniciativas do governo federal.

É preciso seguir com o tratamento, aumentar a dosagem com medidas como a reforma tributária e uma nova política de crédito para quem produz gerar e manter mais empregos.

Marcelo Mérida

Presidente da Federação das CDLS do Estado do Rio